sábado, 28 de fevereiro de 2009



[1]Sociolingüística: o que é? Para quê serve?

Trataremos da Sociolingüística, nesse trabalho.
Primeiro, tentaremos conceituar essa área tão importante do conhecimento, depois abordaremos alguns termos inerentes a esse campo de estudo, que acreditamos serem relevantes para melhor compreender não só o conceito dessa disciplina, mas também seu alcance.
Nesse sentido, perguntaríamos: o que é Sociolingüística? Para que serve?
Antes de respondermos às questões anteriormente formuladas, deveremos nos reportar a uma área do conhecimento científico denominada de Lingüística.
Segundo Ferrarezi (2007, p. 24), a essa palavra corresponderia o seguinte conceito:
A ciência que estuda a linguagem humana. Tradicionalmente, atribui-se ao suíço Ferdinand de Saussure a fundação da lingüística moderna, lá pelos idos de 1900 (a publicação póstuma de seu Curso de Lingüística geral é de 1916).

Dessa forma, qual seria a relação da Lingüística com a Sociolingüística? É o que tentaremos deslindar no transcorrer desse trabalho.
Sabemos que segundo a tradição européia a Lingüística está vinculada à área da Antropologia, mas, na tradição brasileira à de letras. Sendo assim, essa Ciência pela complexidade do seu objeto de estudo, teve que se dividir em áreas as quais teriam uma preocupação específica em relação à linguagem: fonologia, morfologia, sintaxe, semântica, pragmática, neurolingüística, sociolingüística e psicolingüística, as quais se tornaram áreas de maior relevo, que podem ser desenvolvidas de forma teórica ou aplicadas.
Portanto, foi necessário tratar antes da Lingüística, já que a Sociolingüística é uma das subdivisões dessa ciência.
Nesse aspecto, Alkimin (2005, p. 28) nos mostrará a origem e a finalidade da Sociolingüística:

O termo Sociolingüística, relativo a uma área da Lingüística, fixou-se em 1964. Mais precisamente, surgiu em um congresso, organizado por William Bright, na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), do qual participaram vários estudiosos, que se constituíram, posteriormente, em referências clássicas na tradição dos estudos voltados para a questão da relação entre linguagem e sociedade: John Gumperz, Einar Haugen, William Labov, Dell Hymes, John Fisher, José Pedro Roma.

Assim, a Sociolingüística deve ser compreendida como a Ciência que procura explicar, descrever, elucidar a relação entre linguagem e sociedade. Dessa forma, abordaremos nesse trabalho alguns conceitos que mostram melhor essa relação, são eles:
a) falante;
b) ouvinte;
c) idioleto;
d) fala;
e) falar;
f) dialeto;
g) idioma;
h) língua;
i) linguagem;
j) variação e mudança lingüística.
Nesse sentido, agora vamos tratar separadamente de cada item acima citado:
a) Falante, seria o sujeito social, histórica e ideologicamente localizado, utilizando-se da fala para expressar o pensamento, comunicar-se e integrar-se na sociedade.
b) Ouvinte é a pessoa que ouve, mas também age e reage através da linguagem, respeitando-se os devidos turnos relacionados a uma conversação, também esse sujeito está inserido social, histórica e ideologicamente na sociedade e, na comunidade onde vive. Nesse contexto, o ouvinte se torna não só a quem a mensagem é transmitida, endereçada, mas também num processo de interação comunicativa social, pode ainda assumir o turno como falante, por isso, justifica-se falarmos em falante/ouvinte e, não somente falante ou ouvinte.
c) Fala, seria esse mesmo sujeito apropriar-se do aparelho formal da enunciação e manifestar suas alegrias, tristezas, pensamentos, enfim, expressar-se na sociedade onde vive, agindo e reagindo através da fala, conforme suas necessidades, levando-se em conta sua História de Vida, a dos outros e ainda a ideologia, as relações sociais e, por fim a História Oficial.
d) Idioleto seria a maneira individual que cada um tem de se expressar, ou seja, a forma particular que cada um possui para falar a sua língua, dessa forma, podemos falar em Idioleto sulista, carioca, baiano, mineiro, considerando-se cada falante em particular, cada indivíduo dessas pronúncias e, não seu conjunto, porque, quando se considera o conjunto temos o que chamamos de Dialeto, do qual trataremos a posteriori.
e) Falar seria a maneira diferente de as pessoas se expressarem, ou melhor, o modo diferente e diferenciado de as pessoas falarem sua própria língua e nesse Falar é que surge o que conhecemos como variação lingüística em nível de microrregião, por exemplo, seria o caso de verificarmos como as pessoas falam aqui em Ariquemes, de um bairro a outro, observando diferenças e semelhanças, ou ainda poder-se-ia analisar os diversos falares só dos moradores de Ariquemes em todo: o município zona rural tanto como zona urbana, isso é o que chamamos de verificação dos falares em nível de macrorregião.
f) Dialeto seria a maneira diferente de um conjunto de pessoas utilizarem sua própria língua, nesse caso, devemos considerar mais de um indivíduo localizado sócia, histórica e ideologicamente em uma determinada região: sul, sudeste, norte, nordeste, etc.
g) Idioma seria a linguagem tomada em sua unidade político-territorial em nível de um ou mais países, por isso, cada país possui a sua própria língua.
h) Língua seria determinado sistema de código estruturado a partir dos signos lingüísticos, sinais utilizados pelos homens e pelas mulheres para se comunicarem, expressarem, o pensamento e integrarem-se na sociedade da qual participam.
i) Linguagem apesar da complexidade que envolve esse tema, tentaremos conceituar, ainda que a grosso modo, o que seria a palavra Linguagem, seria, a nosso ver; a faculdade (um dos maiores presentes dado aos homens por Deus, nesse sentido, o melhor presente de todos os outros já existentes, doado aos homens e às mulheres por Deus, ainda que conheçamos a teoria científica acerca do conceito de Linguagem) para se expressarem, manifestarem suas opiniões, crenças, descrenças, emoções, além disso, para se integrarem sócia, histórica e ideologicamente na comunidade onde vivem.
j) Variação e mudança lingüística seria o engendrar das variantes, ou melhor, diversas maneiras de dizer, falar a mesma coisa em um mesmo contexto e com o mesmo valor de verdade, são as Variações que geram os Dialetos e os Idioletos, apesar de sabemos que não é a língua que muda, não obstante são os falantes que a mudam, quando a utilizam de diversas maneiras possíveis, por isso, não existe a fala “certa” ou “errada”, entretanto, existem maneiras diferentes, adequadas ou inadequadas de se falar a mesma coisa com o mesmo valor de verdade ou falsidade. Sabemos ainda que a mudança lingüística é um processo inconsciente, involuntário, o qual ocorre naturalmente em qualquer língua natural, independente da vontade dos falantes, apesar de que esse fenômeno não acontece aleatoriamente, mas sim, com certa lógica, clareza e coerência.
Do exposto, percebemos que a Sociolingüística se torna uma área do conhecimento científico de suma relevância para o estudo, compreensão desse mundo maravilhoso, instigante, misterioso que é a linguagem humana.

REFERÊNCIAS
ALKIMIN, Tânia & CAMACHO, Roberto (2001). “Sociolingüística”. In: Mussalim & Bentes. Introdução à Lingüística: domínios e fronteiras. Vol. I. São Paulo: Cortez, pp. 21- 75.
BAGNO, Marcos (1999). Preconceito Lingüístico: o que é, como se faz. São Paulo: Loyola.
______________ (2003). A Língua de Eulália: novela sociolingüística. 12 ed. São Paulo: Contexto.
FERRAREZI, Celso. (2007). Ensinar o brasileiro: respostas a 50 perguntas de professores de língua materna. São Paulo: Parábola Editorial.










[1] Marinho Celestino de Souza Filho – MSc.em Lingüística: professor de Língua Portuguesa na Unijipa – União das Escolas Superiores de Ji-Paraná – RO e da E. E. E. F. M. Coronel Jorge Teixeira de Oliveira também em Ji-Paraná no distrito de Nova Londrina.

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