sábado, 28 de fevereiro de 2009

PSICOLINGÜÍSTICA: UM BREVÍSSIMO COMENTÁRIO[1].
PROFESSOR: MARINHO CELESTINO DE SOUZA FILHO[2]

Origem: o termo surgiu pela primeira vez em 1951, num “seminário de verão” na Universidade de Cornell – Estados Unidos, logo seguido pela criação de uma comissão de psicólogos: C.E. Osgood, J. B. Caroll, G. A. Miller e dos lingïstas: T. E. Sebeok, F. G. Lounsbury, sugeriram, assim, um campo interdisciplinar de estudos do qual participam a Psicologia e a Lingüística.
Estes estudos eram feitos originalmente pela Psicologia da Linguagem, que abordava uma questão primordial à Psicologia e à Lingüística: as relações entre pensamento (comportamento) e linguagem.
Sabemos ainda que a Psicolingüística é uma disciplina relativamente nova, e seria um erro crer que se trata apenas de um termo novo para designar o que antes se chamava (e ainda se chama eventualmente) Psicologia da Linguagem.
Conseqüentemente, o que ocasionou o nascimento da Psicolingüística foi à colaboração interdisciplinar entre psicólogos e lingüistas.
Diante do exposto, mostraremos a seguir os períodos que contribuíram para a formação de tão distinto ramo do conhecimento científico: a Psicolingüística, são eles:

è 1 - Período formativo:
Concomitantemente com o aparecimento da Teoria da informação, após a segunda guerra, surge também um quadro epistemológico mais consistente para os estudos psicolingüísticos.
Dois teóricos se sobressaíram nestes estudos: Shanon & Weaver (1949) que definiram uma unidade de comunicação formada por: fonteètransmissor/codificadorècanalèreceptor/decodificador è destinação. Este modelo, predominantemente, mecanicista (regido pelas leis da física – cinemática, estudo dos movimentos, estática, estuda o equilíbrio dos corpos e dinâmica, a força que produz os movimentos) foi amplamente utilizado pela pesquisa da década de 1950, com fortes acentos comportamentalistas.
Assim sendo, Osgood & Sebeok[3] (1954) definem a Psicolingüística como o estudo dos “processos de codificação e decodificação no ato da comunicação na medida em que ligam [relacionam] estados das mensagens e estados dos comunicadores”.
E após dois seminários feitos sobre esta disciplina, um já mencionado anteriormente, e o outro realizado em 1953, na Universidade de Indiana, sob a direção do antropolingüista Sebeok e do do psicólogo Osgood, depois do lançamento dos anais deste segundo seminário, em 1954, com o título de “Psycholingustics:a survey of theory and research problems” – cuja tradução seria “Psicolingüística:ca: estudo da teoria e dos problemas de pesquisa” – funda-se, oficialmente, a Psicolingüística.

è 2-Período Lingüístico:
A Psicolingüística herda de Chomsky, em 1957, o modelo gerativo, propondo, assim, uma abordagem racionalista e dedutiva para esta ciência, contrapondo-se, desse jeito, com as teorias de Skinner, criticando-o pelo caráter, predominantemente, operacionalista (concepção da psicologia como operações comportamentalistas, desprezando-se, desta forma, os aspectos exteriores à consciência) de suas teorias.

è 3- O período cognitivo
Neste período as teorias lingüísticas não perderam sua importância, mas, perderam o caráter exclusivista do período anterior, por isso, os “cognitivistas” postuvalavam que a linguagem humana estaria subordinada a fatores cognitivos mais fundamentais, dos quais ela (a linguagem) seria apenas mais um fator.
Vale lembrar que até o próprio Chomsky também enfatizava o aspecto cognitivo humano presente na Lingüística, dizendo que os lingüistas eram de fato psicólogos cognitivos.
Do exposto, tratarei, a seguir, do estado atual da Psicolingüística.

è O estado atual da Psicolingüística

Este estado denominado por Kess (1992) de período da teoria psicolingüística, realidade psicológica e ciência cognitiva, esta disciplina se apresenta em estado de transição, com pesquisas oriundas de várias escolas teóricas, sendo também o caso da Psicologia e da Lingüística. Outra característica importante deste período é o grande número de trabalhos interdisciplinares, atestando, assim, que problemas científicos de um campo afetam sobremaneira vários campos correlacionados.
Além disso, é bom lembrar que a ênfase na realidade psicológica, deste período, readquire função apriorística na teoria psicolingüística.
Por conseguinte, conforme, percebemos, a Psicolingüística desempenha, assim, um papel fundamental para o estudo da linguagem humana.





[1] Nesta edição, estarei tratando da Psicolingüística, pretendo oferecer aos leitores, apenas, algumas reflexões básicas sobre este ramo tão complexo e amplo do conhecimento, não estou pretendendo lançar algo novo, inédito, estou, apenas, mais uma vez, pensando...
[2] Professor de Língua Portuguesa da Unijipa – União das Escolas Superiores de Ji-Paraná – RO e da E. E. E. Fundamental e Médio Coronel Jorge Teixeira de Oliveira, também, localizada em Ji-Paraná – RO.
[3] Para saber mais ver:
BENTES, Anna Christina & Mussalim, Fernanda. (Org.). (2003). Introdução à lingüística: domínios e fronteiras. V. 2. 6 ed.
São Paulo: Cortez.
CAGLIARI, Luiz Carlos. (1995). Alfabetização e Lingüística. 6 ed. São Paulo: Scipione.
CHOMSKY, N. (1965). Aspects of theory of syntax. Cambridge: MA, MIT Press.
_____________. (1971). Linguagem e pensamento. Petrópolis: Vozes.
DOLLE, J. M. (1978). Para compreender Jean Piaget – uma iniciação à psicologia genética piagetiana.
Rio de Janeiro: Zahar.
FERREIRO, Emília. (1992). Com todas as letras. 4ed. São Paulo: Cortez.
FERREIRO, E. & TEBEROSKY, A. (1991). Psicogênese da língua escrita. Porto Alegre: Artes Médicas.
FIGUEIREDO, L. C. (1991). Matrizes do pensamento psicológico. 4ed. Petrópolis: Vozes.
GARDNER, H. (1995). A nova ciência da mente: uma história da revolução cognitiva. São Paulo: Edusp.
____________. (1994). Estrutura da mente – a teoria das inteligências múltiplas. Porto Alegre: Artes Médicas.
GARMAN. (1990). Psycholinguistics. Cambridge: Cambridge University Press.
GOLBERT, C. S. (1988). A evolução psicolingüística e suas implicações na alfabetização. Porto Alegre: Artes Médicas.
KATO, Mary A. (2000). No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística. 7ed. São Paulo: Ática.
HELENA, Maria Martins (Org.). (1996). 5ed. São Paulo: Contexto.
RAMANZINI, Haroldo. (1990). Introdução à lingüística moderna. São Paulo: Ícone.
SCLIAR- CABRAL, L. (1991). Introdução à Psicolingüística. São Paulo: Ática.
VYGOTSKY, L. S. (1991). Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes.



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