Sobre a questão da Acentuação Gráfica: por que e para quê acentuamos as palavras?
Marinho Celestino de Souza Filho
Os primeiros questionamentos sobre acentuação gráfica que poderão vir à mente de um escritor/leitor do português seriam: como devo acentuar? Por que acentuar graficamente as palavras? Para quê acentuá-las? Quando? Será que se acentuam todas as palavras do português? O que seriam palavras oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas? Finalmente, por que estudar toda esta “parafernália”?
Primeiramente, tentaremos responder (na medida do possível), adequadamente, a todos os questionamentos feitos acima. Logo, para se acentuar quaisquer que sejam as palavras, devemos seguir, adequadamente, as regras de acentuação gráfica encontradas nas gramáticas utilizadas nas escolas, ou seja, na gramática normativa, (mas normativa por quê? Isto será assunto do nosso próximo artigo), por isso, deveremos consultar as gramáticas escolares ou normativas para sabermos como devemos acentuar de forma adequada as palavras do português.
A razão por que se acentuam as palavras graficamente no português seria a seguinte: acentuamos, porque, felizmente ou infelizmente, na escrita, existem regras preestabelecidas que nos obrigam de certa forma a acentuar as palavras de nossa língua materna, além disso; devemos acentuar os vocábulos do português para de certo modo realçar, enfatizar, e até, diferenciar na escrita as sílabas átonas das tônicas, por isso, as sílabas com o som mais forte são chamadas de tônicas, já as átonas são as sílabas com o som mais fraco. Esta consideração deve ser respeitada, a priori, na escrita. Por quê?
Porque, simplesmente, é na fala que temos os recursos mais amplos para a compreensão e interação da mensagem, por exemplo: os gestos, o fato de estarmos face a face com o nosso interlocutor/locutor, a entonação, a dicção; além disso, tem a questão de muitas pessoas terem uma audição, praticamente, perfeita que distingue sons fracos dos fortes, ou seja, temos a faculdade em discernir sons agudos, mais fracos, de sons graves, mais fortes.
Por isso, é que na escrita devemos acentuar as palavras, já que nesta modalidade, não temos muitos recursos, conforme temos na fala, porém, para acentuar as palavras, não devemos acentuá-las de forma aleatória, para isso, devemos seguir as regras de acentuação gráfica, o que parece muito óbvio; mas, talvez muitas pessoas não saibam disso, ou, às vezes; ignoram estas regras.
Por conseguinte, devemos acentuar as palavras do português seguindo alguns critérios, são eles:
a) Acentuam-se, geralmente, todas as palavras proparoxítonas, aquelas cuja sílaba tônica é a antepenúltima, apesar de sabermos que no caso da palavra ¹performance, mesmo sendo proparoxítona não deve ser acentuada, isto é, sua pronúncia adequada é dizê-la de forma que a antepenúltima sílaba seja a tônica, portanto, se formos levar sempre em consideração a regra que diz que toda palavra proparoxítona leva acento, estaríamos propensos a um julgamento inadequado no que tange à acentuação gráfica das palavras proparoxítonas. Mesmo assim, seguem alguns exemplos de proparoxítonas acentuadas: médico, ônibus, árvore, hexágono, pentágono, etc.
b) Em se tratando das palavras oxítonas, cuja sílaba tônica é a última, devemos seguir o seguinte critério, acentuam-se as palavras oxítonas terminadas em a, e, o, seguidas ou não de s, e ainda as terminadas em em, seguidas ou não de s. Exemplos: café, sofás, cipó, armazéns, alguém, etc.
Quanto às paroxítonas, aqueles vocábulos cuja sílaba tônica é a penúltima, devemos acentuá-los seguindo tantas regras que se tornam quase impossível decorá-las, em vista disso, fazemos a seguinte sugestão: uma vez que acentuamos as palavras oxítonas terminadas, conforme, os casos, acima, vistos, por conseguinte, não acentuamos as palavras ²paroxítonas terminadas em a, e, o, em, seguidas ou não de s. Não acentuamos, por exemplo: menina, caso, elefante, janela, bolso, item, etc; já as que não seguem este mesmo critério, ou seja, os vocábulos paroxítonos que não terminam em a, e, o, em, seguidos ou não de s, são acentuados. Exemplos: açúcar, hífen, álbum, fórum, bíceps, táxi, ônix, fênix, possível, impossível, etc.
Logo, parece-nos que este tratamento dado à acentuação gráfica poderá auxiliar o leitor/escritor a acentuar adequadamente os vocábulos do português, facilitando, assim, a vida de muitas pessoas que lidam com o maravilhoso, instigante mundo da linguagem, das palavras.
[1] Sabemos que esta palavra vem originalmente da Língua Inglesa, mas, já está incorporada ao nosso Léxico.
2 – Talvez, um dos únicos problemas ocasionados por esta sugestão, seria o caso dos ditongos terminados em a, e, o, que apesar de paroxítonos, são acentuados, exemplos: Rondônia, tênue, inócuo, etc. Excetuando as paroxítonas cujos ditongos são éi, oi, porque esses depois da reforma perderam os acentos. Exemplos: idéia, que agora se escreve ideia e heróico que agora se grafa heroico.
** O autor é Mestre em Lingüística, professor de Língua Portuguesa da Unijipa – União das Escolas Superiores de Ji-Paraná e da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Governador Jorge Teixeira de Oliveira em Nova Londrina – Ji-Paraná – RO.
Marinho Celestino de Souza Filho
Os primeiros questionamentos sobre acentuação gráfica que poderão vir à mente de um escritor/leitor do português seriam: como devo acentuar? Por que acentuar graficamente as palavras? Para quê acentuá-las? Quando? Será que se acentuam todas as palavras do português? O que seriam palavras oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas? Finalmente, por que estudar toda esta “parafernália”?
Primeiramente, tentaremos responder (na medida do possível), adequadamente, a todos os questionamentos feitos acima. Logo, para se acentuar quaisquer que sejam as palavras, devemos seguir, adequadamente, as regras de acentuação gráfica encontradas nas gramáticas utilizadas nas escolas, ou seja, na gramática normativa, (mas normativa por quê? Isto será assunto do nosso próximo artigo), por isso, deveremos consultar as gramáticas escolares ou normativas para sabermos como devemos acentuar de forma adequada as palavras do português.
A razão por que se acentuam as palavras graficamente no português seria a seguinte: acentuamos, porque, felizmente ou infelizmente, na escrita, existem regras preestabelecidas que nos obrigam de certa forma a acentuar as palavras de nossa língua materna, além disso; devemos acentuar os vocábulos do português para de certo modo realçar, enfatizar, e até, diferenciar na escrita as sílabas átonas das tônicas, por isso, as sílabas com o som mais forte são chamadas de tônicas, já as átonas são as sílabas com o som mais fraco. Esta consideração deve ser respeitada, a priori, na escrita. Por quê?
Porque, simplesmente, é na fala que temos os recursos mais amplos para a compreensão e interação da mensagem, por exemplo: os gestos, o fato de estarmos face a face com o nosso interlocutor/locutor, a entonação, a dicção; além disso, tem a questão de muitas pessoas terem uma audição, praticamente, perfeita que distingue sons fracos dos fortes, ou seja, temos a faculdade em discernir sons agudos, mais fracos, de sons graves, mais fortes.
Por isso, é que na escrita devemos acentuar as palavras, já que nesta modalidade, não temos muitos recursos, conforme temos na fala, porém, para acentuar as palavras, não devemos acentuá-las de forma aleatória, para isso, devemos seguir as regras de acentuação gráfica, o que parece muito óbvio; mas, talvez muitas pessoas não saibam disso, ou, às vezes; ignoram estas regras.
Por conseguinte, devemos acentuar as palavras do português seguindo alguns critérios, são eles:
a) Acentuam-se, geralmente, todas as palavras proparoxítonas, aquelas cuja sílaba tônica é a antepenúltima, apesar de sabermos que no caso da palavra ¹performance, mesmo sendo proparoxítona não deve ser acentuada, isto é, sua pronúncia adequada é dizê-la de forma que a antepenúltima sílaba seja a tônica, portanto, se formos levar sempre em consideração a regra que diz que toda palavra proparoxítona leva acento, estaríamos propensos a um julgamento inadequado no que tange à acentuação gráfica das palavras proparoxítonas. Mesmo assim, seguem alguns exemplos de proparoxítonas acentuadas: médico, ônibus, árvore, hexágono, pentágono, etc.
b) Em se tratando das palavras oxítonas, cuja sílaba tônica é a última, devemos seguir o seguinte critério, acentuam-se as palavras oxítonas terminadas em a, e, o, seguidas ou não de s, e ainda as terminadas em em, seguidas ou não de s. Exemplos: café, sofás, cipó, armazéns, alguém, etc.
Quanto às paroxítonas, aqueles vocábulos cuja sílaba tônica é a penúltima, devemos acentuá-los seguindo tantas regras que se tornam quase impossível decorá-las, em vista disso, fazemos a seguinte sugestão: uma vez que acentuamos as palavras oxítonas terminadas, conforme, os casos, acima, vistos, por conseguinte, não acentuamos as palavras ²paroxítonas terminadas em a, e, o, em, seguidas ou não de s. Não acentuamos, por exemplo: menina, caso, elefante, janela, bolso, item, etc; já as que não seguem este mesmo critério, ou seja, os vocábulos paroxítonos que não terminam em a, e, o, em, seguidos ou não de s, são acentuados. Exemplos: açúcar, hífen, álbum, fórum, bíceps, táxi, ônix, fênix, possível, impossível, etc.
Logo, parece-nos que este tratamento dado à acentuação gráfica poderá auxiliar o leitor/escritor a acentuar adequadamente os vocábulos do português, facilitando, assim, a vida de muitas pessoas que lidam com o maravilhoso, instigante mundo da linguagem, das palavras.
[1] Sabemos que esta palavra vem originalmente da Língua Inglesa, mas, já está incorporada ao nosso Léxico.
2 – Talvez, um dos únicos problemas ocasionados por esta sugestão, seria o caso dos ditongos terminados em a, e, o, que apesar de paroxítonos, são acentuados, exemplos: Rondônia, tênue, inócuo, etc. Excetuando as paroxítonas cujos ditongos são éi, oi, porque esses depois da reforma perderam os acentos. Exemplos: idéia, que agora se escreve ideia e heróico que agora se grafa heroico.
** O autor é Mestre em Lingüística, professor de Língua Portuguesa da Unijipa – União das Escolas Superiores de Ji-Paraná e da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Governador Jorge Teixeira de Oliveira em Nova Londrina – Ji-Paraná – RO.
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